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Do Grão-Pará ao Tapajos e Carajás



 Para quem não é chegado aos livros de história, nem imagina que essa é a 5ª ou 6ª vez que o Estado do Pará passa por um processo de divisão e que desta vez promete ocorrer em dose dupla.

 Amanhã (dia 11) será o plebiscito que decidirá o destino de como será aquele que já foi o maior território brasileiro e que atualmente está em segundo lugar em extensão territorial. Mas ao que parece uma pesquisa do DATAFOLHA, mostra que pouco mais de 60% da população diretamente afetada pelas divisões, é contrária à elas. 

 Porém o mais interessante de tudo isso está por vir, já que novos Estados configuram-se, novas despesas consequentes de estruturação de mais cargos políticos tanto eletivos, quanto de confiança. Sem falar que toda a infraestrutura de polícia, corpo de bombeiros, hospitais, postos de saúde, estradas, redes de transmissão de energia, escolas e universidades, já existentes, passarão a ser de responsabilidade desses novos Estados. Aos quais não possuem uma arrecadação suficiente ou um PIB, dinâmico que cubra os gastos iniciais dessa estruturação.

 Tem-se ainda a questão da representatividade política desses novos Estados no Congresso. No caso do Senado, aumentaria de 81 senadores para 87 e na Câmara - caso tivéssemos voto distrital - não haveria a necessidade de novos parlamentares, já que eles representariam o 'distrito' e não o Estado inteiro.

 Portanto mais uma vez, o Brasil faz reformas pelas beiradas em vez de fazer uma reforma político/eleitoral consistente que representasse de fato a população. Até porque, o resultado do DATAFOLHA, não representa nada para os eleitores ribeirinhos, ou para aqueles 'perdidos' na floresta em meio à suas atividades cotidianas.

 Uma mera reforma no mapa do Brasil apenas mais uma ou melhor, duas - não refletirá em quase nada para a sofrida população paraense. Certamente os problemas do Pará, não serão resolvidos com essa divisão.

  A pistolagem, a grilagem de terras, o contrabando de metais preciosos ou minérios que custam caro no mercado de commodities, a destruição da floresta ou mesmo, os constantes casos de trabalho escravo que ocorrem por lá, nada disso se resolverá por duas simples divisões.

 COMO FICARÁ A CARA DOS NOVOS ESTADOS

  PARÁ- A capital continuará a ser Belém - que segundo um jogador de futebol:"foi a cidade em que Jesus nasceu" - ficará com a menor parte territorial, mas certamente a mais rica. Terá um PIB em cerca de 32,7 bilhões de reais, mas com apenas 17% do atual território.

 CARAJÁS - Terá como capital a cidade de Marabá - até então a terceira maior cidade do Estado atual - aproximadamente 25% do território e um PIB de 19,5 bilhões de reais.

 TAPAJÓS - É o que ficará com o maior território e certamente. Sua capital Santarém, com quase 300 mil habitantes, fica bem ao meio do território de 58% do total a ser fatiado pela divisão e possuirá um PIB  de algo em torno de 8,7 bilhões.

 Contudo a ânsia separatista é tamanha que antigos projetos de outros novos entes federados que já vinham sendo vislumbrados, começam a ganhar força, como a nova divisão do Mato Grosso e também de Minas, Bahia e até Goiás, de novo.

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