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O que o mundo precisa agora é amor

Final de Ano, e as pessoas além dos presentes e das congratulações, desejam, ainda que de forma não tão autêntica e sincera, votos de paz e prosperidade. Empresas, bancos, e grandes redes de TV exibem comerciais ou mensagens com jingles e músicas que acabam famosas, de tão repetidas, todas as vezes nessa mesma época do ano, ainda que em versões revitalizadas e inovadoras.

Embora na atualidade se viva conturbações geopolíticas graves, onde não faltam "profetas do apocalipse" que preveem a iminência de uma terceira guerra mundial, devido a conflitos militares em algumas partes do mundo e a violência tenha aumentado, mesmo em países como o Brasil, cuja história raramente se envolveu em guerras, o desejo de paz parece assim, cair na vala comum das banalizações, do mesmo modo que a criminalidade e o ódio, nas diversas razões que causam conflitos humanos.

Ainda que se fale muito em direitos, liberdades e democracia, questionar o establishment - ou a ordem estabelecida - e status quo, tem gerado novos conflitos em várias sociedades pelo mundo; a intimidação ao accountability, ou à própria responsabilidade pública das autoridades em si, evoca práticas que poderiam ser vistas como, não muito saudáveis, em ambientes nacionais, considerados mais evoluídos do que nós.

O formato em "coração" feito com as mãos, se tornou a nova expressão que simboliza o amor - Foto: Freepik.

Certamente, a agenda globalista 2030 acaba sufocando direitos e liberdades individuais em nome da salvação ambiental do planeta, enquanto irônica e hipocritamente, o risco de uma guerra nuclear é cada vez maior.

Portanto, resta a aqueles que não querem se envolver nesses debates, o desafio de se propor a uma profunda imersão espiritualista, embarcada na ideia de transição planetária; desse modo, é preciso cultivar, não somente a paz dentro de si, mas também o amor; para que não apenas jingles de campanhas publicitárias ou músicas, comuns às épocas de Fim de Ano, não sejam apenas, meras peças de marketing para a promoção ao nome de algumas empresas.

Com isso, cada vez mais, o cenário global pede menos discursos e mais ações práticas que promovam cenários ou situações pacíficas. Para que o desejo de paz seja legítimo, torna-se preciso assim, que durante o ano todo, as pessoas se esforcem em torno dela. Em suma, ser a mudança que se espera no mundo.  

Mesmo que não se trate de uma das músicas típicas de Final de Ano, uma em especial, lançada em abril de 1965, fala de amor, doce amor. "What the world needs now is love" - "O que o mundo precisa agora é amor", com sua gravação original na voz de Jackie DeShannon, representa bem o contexto para o despertar espiritual que move a humanidade a uma nova forma de existência, ainda no plano material.

A música também contou com a interpretação de inúmeros artistas em as suas mais diversas versões, entre vozes femininas e masculinas, a melodia traz o toque envolvente que emociona. Desde Dionne Warwick a Barry Manilow, What the world needs now is love, sempre encanta pela simplicidade da sequência linear de suas notas.

Na introspecção necessária para o fim que sugere a música, quem se dispõe à entrega de situações nas quais o ego não pode mudar, instiga dentro de si, a tão cultuada e pouco praticada paz; nessa ideia, emerge a prática do taoísmo chinês, que na filosofia "wu wei", ocorre através da ação sutil em que o curso natural dos acontecimentos os quais não podem ser controlados, tomam forma através da quietude e da não ação.

Na prática diária da meditação, tentar entender sentimentos complexos como a sensação recalcada de choro preso, onde uma pessoa não sabe definir muito bem, a razão de se sentir tão mal, e que certamente se perde em meio a frustrações recolhidas e repressões emocionais.

O autoconhecimento é essencial para se buscar a paz interior e através dela, irradiar uma paz autêntica e altamente conectada com a espiritualidade mais elevada; tentar entender os sentimentos que nos sondam, é essencial para a busca da paz e do auto amor.

Nessa concepção, do wu wei, é necessário agir sem nenhuma atitude prática; e nada de mudar o que não pode ser mudado, ou interferir onde não se tem o poder necessário para que uma realidade injusta se converta em algo positivo. A própria proposta do "deixar fluir" é a de que o simples fato de não se fazer nada, já se faz como uma ação, ainda que latente e nada perceptível. 

Seguir o fluxo da vida, é essencial para se alcançar o auto respeito, onde o indivíduo busca entender a si mesmo e dentro desse entendimento, agir de um modo a não contrariar sua própria essência espiritual.

Fuga das pautas "do bem"

Ainda em torno dessa dinâmica oriental de se permitir seguir no fluxo, é importante a ideia de não se embarcar nos modismos efêmeros da atualidade, nas chamadas "pautas do bem" ou do politicamente correto, bem como ainda, daqueles que se propõem a se tornarem "salvadores do planeta" ou da sociedade. 

Sim, o mundo precisa de amor. Contudo, não o amor piegas envolto em inúmeras camadas de hipocrisia, onde a defesa de minorias (para alguns), só faz sentido se estas estiverem em pleno acordo com ideologias progressistas ou de esquerda; e que caso em contrário, não seriam dignos de serem defendidos. Algo que se expressa naquilo que satiriza ou ridiculariza pessoas oriundas das classes sociais mais modestas, não alinhadas a essas pautas, chamadas pejorativamente de "pobres de direita".

Confira abaixo, What the world needs now is love, na voz da cantora holandesa Trijntje Oosterhuis:

Nessa dinâmica da não distinção de pessoas, surge o amor verdadeiro, como nas palavras de São Paulo apóstolo, nas quais afirma ser paciente e bondoso. Não tem inveja e nem se vangloria; o verdadeiro amor..., continua São Paulo, não maltrata; não procura seus próprios interesses e não guarda rancor. O amor autêntico, na visão do apóstolo Paulo, jamais se alegra com a injustiça, mas apenas com a verdade. Por fim, o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta.

Portanto, o amor, não pode acusar, mas aguardar pacientemente em silêncio, até que as calúnias sofridas cessem; ou o ouvir mal dizer, se apague com a poeira do tempo. O amor, suporta maledicências, além de todo o tipo de opróbrio e infâmia. 

O amor se entrega em sacrifício, para não entrar em disputa; o amor se sujeita até à injustiça, ainda que na legítima defesa da honra ou da dignidade, se prefira a resignação. 

Assim, o amor luta em sua mais sublime fé, de que algum dia, a justiça será cumprida. Pois o que o mundo precisa agora, é amor. Doce amor. 

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