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Estagnação e desarranjo estrutural da economia

 Desde o ano de 1980, o Brasil parece ter descoberto a receita que impõe o severo fardo da pobreza a milhões de brasileiros; trata-se de uma realidade que se dá em um nível de atividade quase sempre muito perto do piso com preços constantemente pressionados por uma suposta demanda coagida para cima.  Mesmo em situações de desemprego e contração dos salários, onde em tese, os preços também devessem ceder, a realidade comportamental entre os agentes: produtivos, de intermediação e comercialização parece não obedecer à essa lógica.   De acordo com especialistas, isso se deve exatamente pelo fator produtividade per capita, ser muito baixo entre trabalhadores no País.   Por meio dessa realidade o empresário é sempre forçado a cair na "armadilha do corte de custos" em uma realidade onde a demanda está sempre reprimida e o risco de novos investimentos devido às constantes incertezas econômicas.  Ainda dentro dessa dinâmica do corte de custos, o empresariado e...

Thatcher e o Estado brasileiro (grande e fraco)

    Em sua única visita ao Brasil em 1994, a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, marcou sua passagem pelo País com frases certeiras que ainda hoje a caracterizam da forma como ficou conhecida, "Dama de Ferro". Dentre uma de suas elocuções clássicas, definiu o Brasil com uma precisão de mira, muito maior do que a de qualquer atirador de elite de nossas forças.  Durante palestra proferida em um hotel de São Paulo, a ex-chefe de governo do Reino Unido nos anos 1980, disse a seguinte frase: "Defendo um Estado pequeno e forte e o que me parece é que o que vocês têm no Brasil é exatamente o inverso, ou seja, um Estado grande e fraco" .  Até hoje nenhum brasileiro conseguiu definir melhor a natureza estatal brasileira, de maneira tão precisa como então foi feita por Margaret Thatcher. Realmente, mesmo depois de tantos anos após dizer o que pensava do Brasil, naquela realidade de 26 anos atrás, a situação do nosso País, indica se tratar da mesmíssima condição ...

Quando o trabalho é inimigo da produtividade

 Dentre o rodízio de reformas, a pregação da simplificação do Estado que no bojo traz a retirada de direitos, justifica a modernização econômica nacional, com a imposição de novos duros fardos ao País, que certamente trarão o efeito inverso da proposta alegada, dentre tantas boas intenções de governos e técnicos os quais afirmam que a economia voltará a crescer com esses tipos de reformas.  Indubitavelmente o entendimento geral do governo que propõe soluções simples onde o ônus é sempre repassado para os mais pobres, visa preservar a classe média e os ricos, mantendo-os na zona de conforto; a mentalidade da valoração exacerbada do empreendedorismo em detrimento do trabalho, indica ser a metástase de uma preguiça induzida na qual indiretamente alude mais sobre o lucro, do que a produtividade.  Com isso, a simplificação na cobrança de impostos e a desoneração da folha de pagamento, através da retirada de direitos trabalhistas, descapitaliza e consequentemente muti...

O centro velho que insiste em seu passado contemporâneo

ESPECIAL PARA O 5 DE AGOSTO O conjunto urbanístico e arquitetônico de um bairro, localidade ou de uma cidade, como um todo, é formado por seu acervo de prédios, casas; pelo estilo estético de suas fachadas, as cores, os materiais usados, bem como o estilo paisagístico das ruas; seus traçados, suas calçadas, os postes de iluminação, a sinalização de trânsito e o mobiliário urbano de forma geral.  Assim sendo, é preciso que haja todo um padrão a ser obedecido que deve por isso, ser preservado. Os painéis de fachada enormes e espalhafatosos das lojas que vemos em Rio Verde, são exemplos que afrontam esse critério de preservação e da ênfase no patrimônio arquitetônico.  As constantes reformas e descaracterizações também prejudicam.  Igreja de  São Sebastião,  ladeada pela Torre Aracoara e o casarão de  " dona Ambrosina ", construído no final do século 19 e que teria servido de esconderijo a Pedro  Ludovico Teixeira,  durante a Revo lução de 1930 - Fo...

Em tempos líquidos, fuja da frase "sair da zona de conforto"

 O senso comum elegeu o brasileiro como acomodado e pouco disposto ao trabalho duro, no entanto, são poucos aqueles que podem se dar ao luxo de ostentar o ônus da meritocracia com orgulho, como fruto de seus trabalhos pesados. A realidade empírica que acaba predominando é que ninguém conseguiu nada no Brasil tão somente e unicamente por meio do trabalho.  "Sair da zona de conforto" portanto, reflete a coação moral na qual as pessoas são incumbidas de uma terceirização involuntária da responsabilidade das primeiras. Tudo porque quem profere tal frase, o faz por se encontrar em sua zona de conforto própria (e desejar com isso, se preservar nela), enquanto seus subalternos realizam aquilo que em suas condições de superiores, jamais fizeram e nem têm a pretensão de saberem como se faz.   Zygmunt Bauman,  que morreu em janeiro de 2017, classificou a socie- dade   em    "modernidade   líquida"  (foto: jornal El País ). ...

Estrangeirismo em voga, "coaching"

 Atualmente no mundo "mágico" de sonhos e fantasias da realidade corporativa de gestão e liderança, seja das empresas ou da Administração de um modo geral, e que passou por seguidas fases em que procurou sempre se reinventar, se dá por uma palavra nova que está em voga, dentre os modismos efêmeros do momento: "coach" ou "coaching", são termos que se tornaram as novas vedetes moderninhas de hoje. Mas qual é a diferença entre a palavra vista em seu formato substantivo ou no gerúndio? Isso pouco importa!   Tão importante como o emprego de técnicas sutis de embromação e bravata, é a busca por se parecer moderno, apenas pelo uso dos manjados termos em inglês, tão comuns e recorrentes nos recintos empresariais,  quanto o hábito de parar o serviço para tomar o famoso cafezinho e botar as fofocas em dia, no ambiente de trabalho.  Principalmente ainda, aqueles que vivem disso nos eventos elaborados aos segmentos de público a que se destinam - os quais lotam a...

Aparecida: 300 anos e a integração territorial do Brasil

  Três pobres pescadores no Brasil, dois ou três humildes pastorinhos (La Salete, na França e Fátima, Portugal); ou um homem simples e de coração puro como Juan Diego no México, essas são as características natas de personalidade, procuradas pela Virgem Maria (Mãe de Jesus Cristo), quando se revela em suas aparições. Mas no caso do Brasil, há diferenças nesse sentido, em duas situações distintas em que não houve propriamente 'aparições' de Maria, mas achados de imagens sacras atribuídas à sua pessoa, que foram reconhecidas com poderes místicos. Imagem de  Nossa  Senhora  de  Montserrat exposta no  templo dedicado a sua devoção  na  ci- dade de Barcelona,  no territó- rio autônomo da Catalunha, na Espanha (Foto: Wikipedia).  O achado de Aparecida, em São Paulo, e o Círio de Nazaré, no Pará, esboçam uma forma diferente de manifestação mariana, da maior parte do restante do mundo, num Brasil até então dividido em apena...