O Chevrolet Monza, foi apresentado ao mercado nacional brasileiro como aquele que seria o "primeiro" carro mundial produzido no Brasil. O ano era 1982 e a GM disponibilizou naquela primeira ocasião, a versão hatchback do modelo. Algo que prometia o que havia de mais moderno na então indústria automobilística do primeiro mundo, para um público habituado por carros com aparências mais espartanas.
Porém, tudo não passou apenas um bom arranjo de marketing da montadora.
Com o já "cansado" Opala, que apenas sofreu algumas reestilizações estéticas no decorrer da década de 1980 até sua descontinuação em 1992, seu equivalente alemão, o Opel Rekord E2, era apresentado ao mercado europeu, e o Monza por isso, se mostrava como o que a Chevrolet disponibilizava de melhor ao consumidor, tentando compensar carências da indústria automobilística para o Brasil.
Também conhecido como Vauxhall Cavalier no Reino Unido e Opel Ascona na Europa continental (ambas as marcas então pertencentes à GM e que hoje fazem parte do portfólio da Stellantis - proprietária da Fiat, Chrysler e Dodge), o Monza chegou ao Brasil exatamente como seus similares do primeiro mundo; mas ao longo dos anos, foi deixando de acompanha-los nas inovações tecnológicas que foram surgindo durante a década de 1980.
Já nos Estados Unidos, o carro foi representado por meio de outra marca da General Motors, famosa por seus modelos ultra luxuosos, através do Cadillac Cimarrom, que também foi lançado no mercado americano em 1982, mesmo ano de seu equivalente no Brasil, mas que vigorou por lá, somente até 1988.
Ocorre que o título de "carro mundial" que o Chevrolet Monza ostentava para a época, era um tanto exagerado para o mercado brasileiro, tendo em vista que o primeiro veículo fabricado no Brasil, foi o Fusca em 1959, que na época era conhecido apenas como Volkswagen 1600, e nos demais países como "Beetle".
Ou seja, a indústria automobilística nacional, já iniciou suas atividades com um modelo globalizado.
Outro modelo global lançado pela Volkswagen no Brasil, desta vez em 1974, foi o inovador Passat, que também só vigorou por duas gerações, sendo a segunda, através do sedã Santana em 1984; o qual depois foi reestilizado em 1991, ainda sobre a mesma plataforma B2, e por fim, descontinuado em 2006.
Houve um total de nove gerações do Passat na Alemanha, em que algumas delas, só abarcaram no Brasil, na condição de importados. Enquanto os substitutos europeus do Fusca (Golf e Polo, montados sobre a plataforma MK1), tiveram suas produções iniciadas um ano antes, que o primeiro Passat no Brasil; ou seja, em 1973.
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| Vauxhall Cavalier "Caravan", versão station wagon do Monza britânico, que não chegou ao Brasil - Foto: Divulgação/ GM. |
A própria GM também já disponibilizou aos brasileiros, um modelo compartilhado que na Europa era conhecido como Kadett (mas no Brasil, adotou-se o nome de Chevette - terceira geração do modelo fabricado pela Opel em 1973, passando por três reestilizações até o fim de sua produção em 1993).
Muitos acreditam, que essa decisão da montadora, teria sido para não criar problemas com o regime de governo brasileiro da época, tendo em vista que Kadett, sugere alguma semelhança fonética a uma patente militar, ligada à formação de oficiais, optando assim, pela nomenclatura Chevette.
Em 1989, a GM trouxe a sexta geração do Kadett para ser produzido no Brasil, coexistindo com a terceira geração (já citada), chamada pela Chevrolet de Chevette - mesma designação de outra marca então pertencente à GM no Reino Unido, Vauxhall, e que já circulava pelas ruas e estradas britânicas desde 1984.
A Ford também trouxe um de seus modelos produzidos nos Estados Unidos para o Brasil, ao aproveitar a aquisição da Willys Overland em 1967; através do luxuoso Galaxie (mais tarde renomeado como Landau LTD), a Ford também tardiamente, atendia ao mercado brasileiro com um de seus modelos de relativo sucesso nos EUA, de meados da década de 1960, que depois foi reestilizado, durando até 1983.
Porém, depois de prometer o Ford Granada britânico para substituir o Landau, frustrando consumidores brasileiros, em uma trapaça muito bem sucedida, optou apenas por reestilizar o Corcel, derivando dele, o Del Rey, em 1981 (ainda herdado da Willys feito em parceria com a Renault, conhecido nos bastidores como "Projeto M"); a montadora americana e maior concorrente da GM nos EUA, trouxe também, a terceira geração do Escort europeu para o país em 1983.
Mesmo com o marketing de "carro mundial", o Monza ainda apresentava algumas sutis defasagens em relação a seus modelos equivalentes, das marcas que naquela época, pertenciam à GM na Europa. Principalmente, em relação ao Cadillac nos EUA; foi o carro mais vendido no Brasil, nos anos de 1984, 1985 e 1986, sendo o "sonho de consumo" da classe média brasileira da década de 1980.
Ainda em 1986, a GM traz ao Brasil, a versão executiva "Classic" do Monza, com quatro portas; e no ano seguinte, a motorização 2.0 litros; além do Classic SE em 1988 mais completa com vidros e retrovisores, travas, porta-malas elétricos e ar-condicionado.
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| Chevrolet Monza Classic SE 1989, a versão mais completa e luxuosa do modelo, disponível no Brasil, para o final da década de 1980 - Foto: Reprodução. |
Em 1989, um lote de 226 veículos do modelo da GM, foram importados da Venezuela, e que no Brasil, ficaram conhecidos como "Monza Venezuelano" (mas que de venezuelano, não tinha praticamente nada), já que todas as peças, eram brasileiras. O carro apenas era montado na Venezuela, e ficou famoso no Brasil por causa de seu acabamento interno, considerado melhor que os modelos brasileiros.
Com a reestilização de 1991, o modelo adquiriu o apelido de "Monza Tubarão", e a versão Classic SE, permaneceu até 1993; após o lançamento do Vectra, três anos depois (que no Reino Unido, na verdade, se tratava da terceira geração do Vauxhall Cavalier e na Europa continental, a quarta geração do Opel Ascona; ou a continuação do "Monza" britânico e europeu, propriamente ditos), a GM então "matou dois coelhos, numa só cajadada".
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Comparativo técnico entre o Chevrolet Opala Diplomata e o Chevrolet Omega (seu sucessor no Brasil) - Foto: Arte/ |
Ou seja, tanto o Monza, quanto o Omega (substituto do Opala), foram sucedidos pelo Vectra; o Omega, portanto, acabou tendo vida curta e só vigorou no Brasil até 1996 (enfim, apenas 4 anos de comercialização), ficando evidente o erro da General Motors em persistir demasiadamente por 22 longas primaveras com o Opala no país (desde 1968), tendo o Omega se mostrado defasado já em seu ano de lançamento (1992).
O Monza prosseguiu até o fim de sua trajetória no Brasil em 1996, com a versão GLS, que na verdade foi apenas uma renomeação do Classic SE; também com todos os itens de série que o davam status de "carro completo". E o Kadett (mencionado lá atrás - com produção iniciada em 1984 na Europa e em 1989 no Brasil), ainda teve sobrevida até 1998 em nosso país.
A indústria automobilística brasileira e a produção de "carroças"
Ainda antes de tomar posse como presidente da República em 1990, Fernando Collor fez algumas viagens internacionais; numa delas, relatou o encontro com o presidente mundial da Volkswagen, no qual teria feito perguntas jocosas em tom de brincadeiras de mau gosto a Collor, em relação ao Brasil.
Conforme o vídeo abaixo, o então presidente eleito, teria sugerido como resposta ao diretor executivo da montadora, para que passasse a fabricar carros no Brasil. Ainda em tom de chacota, o chefe global da Volkswagen na ocasião, disse que "sim", eles fabricavam carros no Brasil; Collor retrucou, afirmando que não; e que na verdade, fabricavam "carroças".
A queixa de Collor na época, além de já muito antiga, ainda continua atual no cenário da indústria automobilística brasileira; formada apenas por montadoras estrangeiras e que vivem inundadas com muitos subsídios e incentivos estatais no país, para produzir o que somente é consumido por brasileiros, em nome da "geração de empregos"; e que em contrapartida, entrega produtos caros, de qualidade questionável.
O grande clichê na narrativa para a oferta de carros piores (e que por isso, são muito pouco exportados), é a de que metade do preço de um veículo no Brasil, seria de impostos; mas como já mencionado, as montadoras raramente vivem hiatos muito longos de tempos, sem que contem com grandes subsídios governamentais, que servem apenas, para aumentar seus lucros, remetidos para suas matrizes no exterior.
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| Cadillac Cimarron: o Monza versão ultra luxo, produzido pela GM nos Estados Unidos entre 1982 e 1988 - Foto: Greg Gjerdingen/ Wikimedia Commons. |
Mesmo tendo um dos oito maiores parques industriais automotivos no mundo, o Brasil segue patinando com modelos defasados, ofertados pelas montadoras, em relação ao que é oferecido em seus países de origem e que por essa razão, quase não são exportados, fazendo o país ocupar a 15ª colocação global entre as economias nacionais exportadoras de veículos.
O caso do Opala já citado, em comparação ao modelo equivalente produzido na Europa pela Opel, é o maior exemplo do que Collor se referiu; chamado de Rekord pela GM na Alemanha, o Opala brasileiro estava nada menos que três versões defasadas, em relação ao modelo "C" de um veículo similar europeu o qual deixou as linhas de produção alemãs em 1971.
Em 1982, a GM estreou no mercado europeu, a versão "E2" do Rekord, já com uma aparência muito semelhante ao do Omega, que só seria lançado no Brasil, dez anos depois; o modelo executivo da Opel, foi apresentado no mesmo ano de lançamento do Monza em nosso país, e que numa jogada de marketing, foi chamado pela Chevrolet de "carro mundial".
Para compensar todos os dissabores vividos por consumidores brasileiros, em março de 2026, a General Motors anunciou a chegada de modelos elétricos da marca Cadillac no Brasil, previstos para novembro, durante o GP de Fórmula 1. A princípio, apenas três cidades brasileiras, São Paulo, Brasília e Curitiba, teriam revendedoras dos modelos Cadillac, compartilhadas com a Chevrolet.
Os carros elétricos e os Tesla "mediúnicos"
Hoje à contragosto de muitos, os carros elétricos (principalmente chineses) estão tomando conta do mercado nacional, mas não pelo cuidado do consumidor brasileiro com o meio ambiente em si, e sim, porque são muito mais baratos.
Isso fez do Brasil, o maior mercado importador de carros elétricos do mundo. A BYD que recentemente iniciou a produção no Brasil já é considerada a maior montadora do seguimento.
Pontos de recarga limitados ou escassos e o tempo relativamente longo para recarregar baterias, além da autonomia dos carros elétricos em apenas cerca de 400 quilômetros, são desafios que estão sendo superados com relativa rapidez pela indústria automobilística chinesa.
Mas algo curioso que tem chamado muito a atenção, são vídeos publicados nas redes sociais, por proprietários de veículos elétricos Tesla, quando transitam com eles por cemitérios nos Estados Unidos nos quais isso é possível de se fazer com um veículo.
Nesses vídeos, o monitor conectado ao sensor de presença instalados nos carros, indica a captação da presença de "pessoas" nas proximidades, mesmo em ocasiões onde não há ninguém, a não ser as lápides dos túmulos.
Nos comentários, muitos em tom de brincadeira, afirmam que os carros da Tesla, seriam "médiuns". Em um dos vídeos, é possível perceber no monitor pessoas transitando até de bicicletas; confira:




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