Imagine descobrir que você não é quem pensa ser: sua identidade, seu nome, sua nacionalidade, seu idioma, seu sotaque, sua cultura; seus hábitos, aprendidos em meio à família ou ao grupo social no qual vive; sua religião, seu trabalho, seu modo de se vestir; sua forma de falar ou de se comportar.
Os mestres espiritualistas orientais, afirmam que todas essas características adquiridas por um ser humano, ao longo de sua vida carnal, tem o nome de "ego" e que por isso, caracterizaria uma falsa personalidade da essência verdadeira do ser.
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| Foto: Ilustração/ Reprodução |
Já para os pais da psicanálise ou mesmo na filosofia, o ego, tem sua origem etimológica contida no que seria o "eu"; além de outras definições como "alma", "espírito" ou a personalidade da essência vital propriamente dita, de um ser.
Sigmund Freud, dividiu o ego em três instâncias da psiquê humana:
- o "Id", representando impulsos instintivos, os quais regem a busca pelo prazer e a satisfação pessoal imediata;
- o "ego" (propriamente dito), que agiria como intermediário no equilíbrio entre a primeira e a terceira parte, e
- o "super ego", relacionado a normas morais em meio às quais, uma pessoa está inserida na sociedade em que vive.
Para Carl Gustav Jung, o discípulo mais notável de Freud, o ego seria o centro da consciência; o mediador entre o indivíduo e a realidade que o cerca.
Na perspectiva de Jung, as principais funções do ego, giram ao redor da percepção, do pensamento, a memória e o julgamento que agem de modo interdependentes entre elas, permitindo que uma pessoa lide de forma eficaz com a realidade do dia a dia, enquanto mantém sua identidade coesa.
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| Para Jung, o ego e a identidade são coisas distintas - Foto: Reprodução. |
Mas no âmbito da espiritualidade relacionada a doutrinas filosóficas orientais como o hinduísmo e o budismo ou mesmo também, o taoísmo, o ego tem um significado um tanto mais simples; sendo portanto, encarado como "camadas" que envolvem o espírito de alguém, encarnado neste plano físico da matéria e que por isso, deturpa a verdadeira essência do ser.
É nesse sentido que tudo relacionado a nossas vidas cotidianas, mediante ao meio geográfico, social, cultural, religioso, regional e nacional em que vivemos, o ego é construído gradualmente, no decorrer de nossas vidas, de modo, que passamos a associar todos esses aspectos, como parte de nossas identidades.
Ou seja, algo que nos faz sentir como se todos esses elementos da personalidade, fossem partes de nós.
Então! Quem na realidade, se trata uma pessoa, quando desassociada dos fatores de identificação ou de pertencimento que o prendem a uma personalidade forjada com o passar dos anos de sua vida?
É importante lembrar que ao nascer, ninguém escolhe o próprio nome, sua religião, sua cultura, seus hábitos em comum (junto à coletividade em que reside); ou seja, o estilo de vida de uma pessoa, em seus primeiros anos de existência no plano físico da matéria, é determinado pelos pais, familiares e parentes mais próximos de uma criança ou jovem; a personalidade do ego, vai sendo a partir disso, sendo construída.
Após adulta, a pessoa passa a ser influenciada pelo meio em que vive, e rejeita parte do que lhe foi ensinado pelos pais; adquirindo gostos próprios que influenciam em suas vestimentas, no corte de cabelo, na forma de se comportar. Tudo isso, representa elementos ou aspectos de construção do ego, conforme o entendimento espiritualista.
Se alguém consegue romper com sua condição social modesta e passa a conviver com pessoas culturalmente mais polidas, ou até consegue migrar para outro país mais desenvolvido, logo tal condição também será preponderante para um "aprimoramento" do ego, o qual passa a ser mais requintado (lógico, no sentido materialista).
A própria educação, a formação acadêmica e a absorção de conhecimento no decorrer dos anos de vida, são outros fatores importantes, na personificação do ego que ajudam a contribuir para com sua identidade no meio em que vive.
O ego na percepção espiritualista
A Terra, o mundo onde todos nós vivemos, fica num sistema planetário identificado pela comunidade científica humana, como "Solar", por estar ao lado de outros sete planetas, além de demais astros rochosos conhecidos como planetas anões, os quais orbitam a estrela mais próxima conhecida como Sol. Esse sistema planetário está numa porção agrupada de astros conhecida como galáxia, e que foi chamada de Via Láctea.
A comunidade acadêmica classifica a porção terrestre do mundo - separada pelos oceanos - em continentes, que conforme o critério, variam de cinco a sete continentes; mas o consenso é que existam cinco continentes básicos: África, América (se visto como único em suas subdivisões - Norte e Sul), Antárctica, Europa e Oceania.
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| As distintas nacionalidades respondem por um componente importante na construção do ego, enquanto identidade de um espírito encarnado no plano físico da matéria - Foto: Ilustração/ Reprodução. |
Dentro desses continentes, existem países e suas divisões político/ administrativas: estados subnacionais, departamentos ou províncias; além de comunas, cidades ou municípios; cada um com sua própria cultura e hábitos peculiares que ajudam na formação do ego de uma pessoa.
Portanto, em todas essas informações descritas sobre a origem de uma pessoa, é possível criar e alimentar todos os elementos que nos confunde e nos faz acreditar como sendo partes de nossa identidade, formando assim nossa personalidade e através dela, nosso ego.
Dado ao período transitório e efêmero de vida no plano físico de matéria em que estamos, o ego passa gradualmente a perder parte de sua relevância, após a migração do espírito para outro plano de matéria, ao redor do processo chamado "morte".
Porém, algumas seitas doutrinárias filosóficas inspiradas em conceitos religiosos, especialmente o espiritismo kardecista (derivado do cristianismo católico) descreve a existência de outros planos astrais, além deste, o qual vivemos; talvez sete diferentes níveis de densidades de matéria.
Nesses planos sutis ou o que poderíamos chamar de "universos paralelos", a identidade terrena de um espírito, bem como sua personalidade (ou seja, seu ego), são de certo modo, mantidas, mas perdem gradualmente parte do que na vida material, lhe dava algum sentido, à medida que um espírito vai se adaptando a sua nova realidade astral.
De acordo com o médium e influencer Saulo Calderon, o mérito ou o comportamento de um indivíduo enquanto ser vivente no plano físico da matéria do planeta Terra, se faz assim, como fator determinante para que alguém após a morte, seja encaminhado a outras realidades conhecidas como umbral ou também ainda, cidades astrais; além de planos de luz superiores ou ascensionados (este último, acessado apenas por aqueles que alcançaram a iluminação espiritual e não mais necessitam reencarnar).
A grande maioria, após cumprir seu tempo de vida terreno, acaba sendo direcionado para o umbral, que por vezes erroneamente é associado ao conceito de inferno, com diabinhos atormentando as pessoas, conforme a perspectiva de Dante Alighieri (poeta, escritor, filósofo e político) que viveu no território da atual Itália entre os anos de 1265 a 1321 da era comum, isto é, durante a Idade Média.
Mas o umbral não tem nada a ver com o inferno; trata-se de um plano astral exatamente igual ao plano material em que estamos, com todos os recursos contemporâneos de nossos dias, tais como: cidades, rodovias asfaltadas, carros, eletricidade, televisores, computadores, saneamento, telefones celulares; talvez internet e quem sabe até, inteligência artificial.
Além disso, no umbral há diferentes ambientes paisagísticos muito similares aos nossos, com atmosfera e suas distintas variações meteorológicas (como chuva, ou apenas nuvens e céu limpo), sol durante o dia; lua à noite; árvores, gramados, jardins; lugares bonitos e outros nem tanto; e claro, aqueles horrendos ou deprimentes.
Em decorrência de todas essas características ambientais do umbral, um espírito recém desencarnado, pode demorar a compreender que já não está mais entre os vivos. Por outro lado, uma vez que o espírito passa a se dar conta de que não vive mais na matéria, no umbral, ele ainda se mantém muito preso ao ego (ou seja, sua última identidade, enquanto viveu no plano físico material), sem consciência de quem verdadeiramente é.
O que faz o umbral um lugar desagradável de se permanecer, relaciona-se mais à condição interna da pessoa que morre e é conduzida para lá; isso logicamente está muito ligado à personalidade construída ao redor do espírito, durante o período em que esteve no plano físico de matéria carnal.
Como fator determinante para que um espírito desencarnado seja conduzido ao umbral, está relacionado a seus atos ou ações, ao redor de decisões tomadas em decorrência de seu livre arbítrio, enquanto ser vivente no plano físico de matéria (no qual estamos agora).
Em outro plano superior ao umbral, existem as cidades astrais (ou o que seria uma versão mais amena do umbral) que se tratam de ambientes onde os espíritos menos densos ou que viveram vidas materiais envoltas em sentimentos um pouco mais nobres (como compaixão, gentileza e empatia), são encaminhados; sugerem se tratar de lugares mais evoluídos tecnologicamente e onde existe harmonia entre os espíritos que neles habitam.
No umbral por sua vez, os espíritos continuam vivendo os mesmos dramas internos os quais sofriam enquanto seres encarnados na matéria. Variações emocionais como ódio, ressentimento, depressão, angustia; rivalidades, inveja, disputas e contendas, além de medo, são bem mais intensos e afligem muito mais as pessoas, do que quando encarnadas na Terra.
Para piorar, problemas de saúde, adquiridos em vida, que geram dores e sangramentos, também continuam e são sentidos no umbral - com a diferença de que ninguém fará nada para alivia-los e a pessoa seguirá sofrendo muito mais do que sofreria, se ainda estivesse viva no plano físico de matéria terreno.
Sensações de escassez tais como fome, frio ou solidão emocional, também são ainda mais intensas no umbral; e se o espírito padecia de algum tipo de vício durante sua vida no plano físico da matéria, continuará sofrendo com a abstinência forçada deles.
Porém, a exemplo do que ocorre em nosso meio material, por mais que o umbral pareça se tratar de um lugar ruim de se viver, é possível se estimular a produção de dopamina em locais de diversão onde geralmente, estão voltados para a busca de prazeres momentâneos.
Alguns dos habitantes do umbral conseguem romper a barreira de separação entre os planos astral e material, para sugar energia de pessoas vivas em nosso ambiente físico; e por isso são conhecidos como "encostos", por fazerem uso de vícios de pessoas encarnadas para satisfazer os seus, através de vampirismo energético.
Mas acredite, no umbral, existem até igrejas e outros tipos de templos religiosos por onde os espíritos de luz, que trabalham com as partes mais densas da espiritualidade, atuam numa interface com o plano umbralino material em que estamos.
É isso que faz o umbral ser tão parecido com o plano material em que vivemos, pois, para frequentar esses locais religiosos, depende apenas de uma decisão pessoal de quem vive no umbral, tal como ocorre aqui, em nosso meio, no plano físico da matéria.
No Evangelho de Lucas 9:23, Jesus afirma a necessidade de negar a si mesmo, para segui-lo; significa assim, renunciar ao próprio ego como condição essencial para se alcançar a salvação. Mas o que Jesus quis se referir em relação ao conceito de "salvação" espiritual? Veremos sobre isso mais adiante.
Outros planos astrais; encarnações e reencarnações e as diferentes identidades de um mesmo espírito
Já nas cidades astrais, não há sofrimento; as pessoas assim que chegam, logo são tratadas e curadas de suas enfermidades em hospitais que lá existem; e após esse processo, vivem situações em total plenitude, conforto e segurança.
O espírito desencarnado por sua vez, vai gradualmente se desvencilhando de sua individualidade materialista carnal, dissolvendo ou diluindo características humanas de comportamento, adquiridas durante sua jornada de vida material.
O filme Nosso Lar, baseado na obra literária do médium Chico Xavier, relata exatamente experiências vividas por um espírito nos planos astrais tanto do umbral, quanto de uma cidade astral (cuja o nome dá título ao filme), onde o personagem principal narrado, é conhecido pelo pseudônimo André Luiz e que muitos atribuem se tratar do médico e cientista brasileiro, Carlos Chagas.
Outro filme que ilustra muito bem como o espírito após o desencarne passa pelo processo de adaptação no plano espiritual é a produção norte-americana Passageiros, de 2008, protagonizado pela atriz Anne Hathaway; além dele, também podemos citar O Sexto Sentido, de 1999, com Bruce Willis e Haley J. Osment; e Os Outros, com Nicole Kidman de 2001.
É importante salientar também que na doutrina kardecista, assim como no hinduísmo e no budismo, se prevê o que é visto como reencarnação, onde um espírito nasce, cresce, se torna adulto, envelhece e morre, repetindo esse mesmo ciclo interminável de vida e morte, ou entre vidas, no plano físico carnal e astral.
Ao redor dessa concepção, de diferentes reencarnações, o indivíduo, assume distintas identidades, de acordo com a época, o país, a cultura, o idioma, a religião e os hábitos, além de outro detalhe não menos importante, vista em sua condição social (se rico, classe média ou pobre).
Portanto em cada uma de suas passagens pela vida carnal em um corpo orgânico, composto por células vivas, ossos, músculos, órgãos internos e pele, além de um cérebro, que lhe propicia consciência e raciocínio, o espírito mantém contido toda a memória personalista de um ser, em sua consciência.
Embora haja em torno dessa proposta, a ideia de memória construída no decorrer do tempo de vida de um ser humano na Terra, existe a unanimidade entre as distintas filosofias espiritualistas que acreditam nos ciclos de encarne, desencarne e reencarnação, a ideia de que a memória de uma vida pretérita é completamente apagada para não interferir na vida materialista presente (ou posterior) do ser.
De modo que traumas de vidas passadas, medos ou inseguranças de vidas anteriores não influenciem tanto, na existência atual de um espírito encarnado na matéria. Porém a memória espiritual entre vidas encarnadas e vidas espirituais, continua armazenada em uma espécie de "Hard Disc" (externo), conhecida pelos espiritualistas e exotéricos como "registros akáshicos".
Por isso, nas filosofias que acreditam no alcance de plenitude total do espírito, caso alguém adquira iluminação espiritual, passa a ter acesso a memórias de suas vidas passadas, que antes, não tinha.
Analogias entre ciências espiritual e material
Cientificamente, já é visto como aceitável, a ideia sobre a existência de outros planos físicos sutis para onde um espírito seria conduzido após cumprir sua jornada de vida carnal na Terra. A ciência assim, de certo modo, começa a aceitar a possibilidade de existência de outros meios de vida de um ser, após a morte de um corpo físico e orgânico.
Outros cientistas, aventam o conceito de "matéria escura", como um tipo de matéria comum de outros universos paralelos, os quais poderiam ser análogos ao que na doutrina kardecista, é chamado de umbral, cidades astrais ou planos superiores e ascensionados.
Mas ainda há muito ceticismo na comunidade científica de um modo geral em relação a esses conceitos, os quais também se relacionam à física quântica, já que se tratam de teorias especulativas e não comprovadas.
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| O físico inglês, ganhador do Prêmio Nobel, Roger Penrose, afirma que "o nada não existe"; para ele a alma é eterna porque a matéria não pode ser destruída (pelo menos, não do ponto de vista religioso) - Foto: Night Sky Today/ X |
A concepção de encarnação e reencarnação, ocorreria devido a suposta necessidade de um espírito evoluir, até não ser mais preciso, adotar uma nova personalidade carnal (ego); e também em decorrência do que é conceitualmente conhecido nessas doutrinas filosóficas espiritualistas, ao redor da noção de "karma" - que em sânscrito (um antigo idioma indiano hindu), significa "ação".
Sendo assim, quantos egos (identidades ou personalidades diferentes), um mesmo ser estaria sujeito a viver no decorrer de suas diferentes encarnações; até que seu espírito não necessite mais viver e morrer?
O filme Atlas das Nuvens, de 2012, com Tom Hanks e Halle Berry; além de Hugh Grant e Hugo Weaving (o Agente Smith de Matrix), disponível abaixo, fala sobre as diferentes reencarnações vividas pelos mesmos personagens em épocas distintas; confira:
O karma, é por vezes erroneamente associado como "dívidas espirituais" ou "dívidas kármicas", onde um indivíduo enquanto ser espiritual, acumula no decorrer de suas distintas reencarnações; e que em tese, necessita "resgata-las" (ou quita-las), para que possa seguir em seu processo evolutivo; contudo, mesmo vivendo diferentes experiências kármicas, nem sempre significa que um ser espiritual, tenha algo de desabonador, referente a suas vidas passadas.
Por vezes, ainda que não haja nada a ser resgatado karmicamente por um espírito encarnado na matéria, ele precisaria viver essas experiências de qualquer modo, pois sem isso, não será possível haver algum aprendizado capaz de propiciar evolução espiritual e romper com os ciclos de encarnação e reencarnação, ao longo de suas jornadas de vida e pós-vida em outros planos astrais de matéria.
Rompimento com o ego e a descoberta de nossa verdadeira personalidade
Qual seria o conceito de "salvação" espiritual mencionado por Jesus nos Evangelhos? Seria a simples determinação para se evitar viver no umbral espiritual e depois de algum tempo, reencarnar no umbral material em que estamos agora? Os ciclos de encarnação e reencarnação, seriam mesmo para evolução e aprimoramento do espírito ou tudo isso não passa de algum tipo de embuste da parte de inteligências astrais desonestas?
Sidarta Gautama, o Buda, ensinou que o apego é a principal causa do sofrimento; Jesus Cristo, também disse que negar a si mesmo, é condição essencial para a salvação do espírito. Tanto Buda quanto Cristo, são exemplos de seres humanos comuns, que alcançaram a iluminação espiritual, ao ponto de romper com os ciclos kármicos de seguidas reencarnações.
No caso de Jesus no entanto, existe a controvérsia dogmática cristã, construída a partir do Concílio de Niceia em 325, da era comum, de que se trate de um "deus" e "Filho de Deus", que encarnou na Terra para salvar a humanidade de seus pecados e resgata-los para a Vida Eterna.
Mas para as doutrinas espiritualistas ocidentais, o entendimento é de que qualquer pessoa se trate de um deus; a própria Bíblia cristã menciona (de modo talvez involuntário, onde alguns acreditam se tratar de uma mera metáfora retórica que não devesse ser compreendida de modo literal), tal como escrito em Salmos 82 e no Evangelho de João 10: "Eu disse: vós sois deuses".
Para os cristãos gnósticos do segundo século (os quais viam Jesus como alguém comum - e não como "Filho de Deus") essas sucessões reencarnatórias, se caracterizariam como sinais em diferentes estágios, de uma prisão espiritual eterna (criada pelo deus imperfeito autor do Universo material em que estamos) vivenciadas pelo espírito e que só pode ser rompida, com a descoberta da luz divina interior contida em cada um de nós.
Ainda de acordo com a doutrina gnóstica, Jesus teria ensinado aos discípulos como romper os ciclos infindáveis de vida, morte e renascimento de um espírito e que Maria Madalena, teria sido a primeira a alcançar essa condição à qual dá ao espírito a condição de ascensionado em que enfim, se libertaria das fases de vida no plano material e "pós-vida" (ou morte), nos distintos planos astrais. Sendo a partir disso talvez, derivado o conceito de "salvação", conforme a interpretação cristã convencional.
Embora o dogma cristão institucional rejeite o conceito de reencarnações, uma pessoa depois da morte, ficaria em "modo de espera", numa espécie de limbo, sem nenhum tipo de consciência conforme está escrito no Antigo Testamento da Bíblia, no livro de Eclesiastes: "os mortos nada sabem"; em algum tipo de "dormição" até a ressurreição do último dia, no chamado Juízo Final onde cada um seria julgado conforme seus atos em vida.
Para se romper com as necessidades de um espírito de nascer e morrer por várias vezes, vivendo diferentes experiências kármicas, torna-se necessário descobrir a essência verdadeira do ser; para isso, é preciso dissolver o ego; compreender de que é essencial se desvencilhar dos rótulos, e principalmente dos apegos sentimentais ligados ao status ou posição social.
Geralmente, a formação acadêmica e profissional de uma pessoa, bem como sua profissão exercida ao redor disso, lhe concede um título social: advogado, médico, engenheiro, empresário, administrador, economista, magistrado, agrônomo, jornalista, artista, apresentador de televisão, matemático, físico, cientista ou pesquisador e até sacerdote ou líder religioso cristão institucional; e se de repente, algo de muito sério ocorre ao ponto de sua função para a sociedade, perder o valor, a pessoa apegada à isso, então sofre amargamente.
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| O francês Matthieu Ricard, é um monge budista que reside em um monastério no Nepal. No início dos anos 2000, pesquisadores da Universidade de Wisconsin, descobriram que o cérebro dele produzia ondas gama em níveis tão elevados que foi considerado "o homem mais feliz do mundo" - Foto: Jon Schmidt/ via jornal O Globo. |
No budismo, existe um conceito chamado "Anatta" (ou o "não eu"), onde as comparações, as validações ou as definições sociais do ego que nos dão algum status, são dissolvidos, abrindo espaço para a verdadeira essência espiritual do ser. Esse conceito budista, está associado a outro, o qual prega o princípio da "impermanência", onde todas as coisas estão em constante mudança e o apego demasiado a determinada estrutura de vida, pode provocar algum tipo de sofrimento, caso venham a ruir.
Toda essa observação sugerida pelo budismo ao redor da Anatta e da impermanência, visam cultivar a paz interior do iniciado nas práticas da meditação, a principal ferramenta de autoexame interior, através da qual, uma pessoa dedica alguns minutos de seu dia, para praticar a auto observação de sensações, pensamentos e sentimentos; tentando compreendê-los à luz dos apegos sugeridos pelo ego e dissolvendo-os por meio do não envolvimento emocional em torno das experiências pessoais vividas.
O ego na concepção espiritualista, é portanto, a representação de todas as ilusões às quais nos apegamos durante nossas existências passageiras e que nos geram sofrimento. Renunciar ao ego, é a única forma, de descobrirmos a paz interior que tanto buscamos fora de nós e por meio disso, romper com os ciclos de encarnação e reencarnação que nos prendem aos umbrais tanto do plano astral, quanto material - no qual nós vivemos agora.
*Projeção astral é o fenômeno descrito por espiritualistas em que o espírito se desprende do corpo por alguns instantes durante o sono, de modo consciente ou não, para viajar por planos espirituais







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