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Clareza, compaixão e gentileza

Em sua primeira carta à comunidade de Corinto, na Grécia, o apostolo Paulo é bem sucinto ao expressar um dos mais belos poemas bíblicos quando se referiu ao amor:

"Ainda que eu falasse línguas; as dos homens e dos anjos ...                                       Ainda que eu tivesse o dom da profecia; o conhecimento de todos os mistérios ...   Sem amor, eu nada seria ..."

Mas de que tipo de amor, Paulo quis aludir? Aquele que é conhecido como "amor eros"; ou o "amor ágape"? Certamente, quando falamos de vida em comunidade, onde todos convivem uns com os outros, o amor ágape faz mais sentido, pois está ancorado na compaixão e na gentileza; ou seja, o amor fraterno.

A frequência de 432 Hertz, é considerada uma das mais harmônicas e equilibradas, associada ao relaxamento e ao bem-estar - Foto: Reprodução/ Healing House/ YouTube.

Nesse aspecto, o apóstolo que não chegou a participar pessoalmente dos ensinamentos de Cristo entre os doze, nos ensina que quão maior for a intensidade de conhecimento espiritual, mais amor por aqueles que ainda estão em estágios retardatários da caminhada evolutiva, se faz perceber. 

O conhecimento ou o despertar de dons místicos, é a síntese perfeita dos resultados ao redor da evolução espiritual; porém, o auto engano da falsa evolução do espírito faz de muitos, jactanciosos, quando exatamente por esse tipo de sentimento nocivo, se afasta do amor.

A imersão interna, com a máxima intensão em autenticidade, probidade e honradez interior consigo mesmo, se faz como o principal meio para esse alcance, pois assim, algo que está internalizado, como todo e qualquer tipo de bagagem emocional recalcada, transborda de forma positiva, natural e despretensiosa em ações mais coerentes à compaixão e gentileza. 

É em torno dessa dinâmica que se dá a abordagem sobre as frequências e vibrações energéticas, hoje tão difundidas no meio exotérico espiritualista como instrumentos para tratamentos e curas espirituais e já comprovados pela ciência, através de pesquisas feitas pelo professor, conferencista e psiquiatra americano, David R. Hawkins (1927-2012). 

O pesquisador concluiu que as emoções humanas podem, de certo modo, influenciar no padrão vibratório de uma pessoa, ao ponto de despertar gatilhos emocionais; ou por meio deles, também desencadear determinadas frequências energéticas emanadas por uma pessoa. Sendo que emoções desagradáveis acarretam em vibrações baixas, e o oposto, resultante de sentimentos nobres e felizes, oscilações vibratórias elevadas.

No conceito da escala de Hawkins, de 1 a 1000 hertz (Hz), sensações como culpa, medo e raiva, estão representadas em frequências entre 30, 100 e 150 hertz respectivamente; enquanto amor, alegria e paz, variam entre 500, 540 e 600 hertz. 

Acima de 700 hertz, uma pessoa estaria alcançando a iluminação espiritual, ao ponto de como o apóstolo Paulo, não se sentir especial, apenas por ter um pouco mais conhecimento espiritual que os demais; e que como ele mesmo disse, "sem amor, não é nada".

Se analisarmos a questão dentro das ressonâncias quânticas, como muitos também afirmam se tratar de algo verdadeiro, a permanência em determinados estágios de frequências vibratórias, acabam atraindo mais, do mesmo tipo de energia, sejam elas boas ou ruins. 

É nessa perspectiva, que os espiritualistas recomendam sempre, manter o padrão vibratório elevado, para assim, ser possível atrair aspectos bons, felizes e agradáveis.

O médico e psiquiatra, David R. Hawkins (falecido em 2012), foi um dos pioneiros no estudo das vibrações como resultado da intensidade das emoções humanas - Foto: Reprodução/ Divulgação.

Dentro dessa dinâmica, Sidarta Gautama, o Buda, que viveu cerca de 400 anos antes de Jesus, entendeu primeiro a preocupação em se desvencilhar das baixas vibrações energéticas emocionais e assim, superar condições de sofrimento, através de oito princípios básicos que ele mesmo chamou de "Caminho Óctuplo", os quais são: compreensão correta, pensamento correto, fala correta, ação correta, meio de vida correto, esforço correto, atenção correta e concentração correta; onde o praticante iniciado deve observar com a máxima honestidade consigo mesmo.

Nesse mesmo entendimento do amor, conforme São Paulo, o budismo também recomenda a prática da clareza, compaixão e gentileza, como modos de interação interpessoal com os demais. 

A doçura para com os menos esclarecidos do ponto de vista espiritual, que inspira a paciência no trato com as pessoas de estágios evolutivos anímicos mais retardatários, também se expressa no amor fraterno.

A auto observação, por meio de práticas de meditação, que nada mais se trata que treinamento para o silenciamento da mente -ou mais precisamente, aquietação dos pensamentos- nos permite identificar em nós mesmos, as sombras que nos impede de acessar padrões vibratórios mais elevados. 

Nesse sentido, o relaxamento mental e corporal, é imprescindível para alcançarmos o entendimento necessário onde é preciso também, o mais elevado grau de sinceridade interna própria nessa busca. 

Ser gentil, principalmente consigo mesmo, requer compreender que a busca por uma espiritualidade com mais significado, está em não ser rigoroso demais com a própria trajetória espiritual. 

Nisso está inserido o esforço correto, do caminho óctuplo budista; já a atenção correta, nos permite identificar os sentimentos que nos rondam nos atos de meditação, que sejam observados, sem serem recalcados ou repreendidos internamente, mas apenas observados em seu fluxo natural.

É através dessas práticas, que se adquire a clareza; por meio da clareza, é possível desenvolver também, a compaixão e a gentileza e através delas, elevar o padrão vibratório interno e pessoal. 

A ciência ainda não é unânime ao redor desse entendimento. Infelizmente, ainda são poucos cientistas, como o doutor David Hawkins, que se dedicam ou no caso dele, se dedicaram a esse estudo. Algo que sinaliza ainda, a proximidade para o rompimento dessa barreira.

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