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PM de Jataí mostra até onde pode se chegar em estupidez corporativa

 A semana que passou ficou marcada nas redes sociais, na imprensa local e até nacional, pelo episódio envolvendo três garotos que trabalham em um lava-jato e que gravaram um vídeo, fazendo graça com uma viatura da Companhia de Patrulhamento Tático (CPT), da Polícia Militar de Goiás em Jataí. 

 Depois da aventura, os jovens que não têm passagem pela polícia, foram presos e encaminhados para a delegacia de Jataí, onde coercitivamente foram obrigados a gravar um outro vídeo, pedindo desculpas à PM goiana pela brincadeira. Essa sem dúvida, além da brincadeira dos adolescentes (compreensível dada à idade), foi a atitude mais covarde e estúpida que uma corporação policial poderia tomar em função desse grave incidente da qual ela mesma é culpada.

 Primeiro que a Polícia Militar, como o próprio nome indica, é "militar". E como tal, deveria dotar seus batalhões de meios para a lavagem de suas viaturas sem que com isso precise empreitar o trabalho a terceiros. 

 Segundo, mesmo que o batalhão local da corporação na cidade, não disponha de meios para a higienização de seus veículos, deveria haver um policial acompanhando o trabalho efetuado pelos funcionários do lava-jato. 

 Terceiro, porque não há dolo na atitude (irresponsável na verdade), da parte dos garotos. Portanto, o vídeo gravado com os jovens constrangidos pedindo desculpas à corporação foi totalmente desnecessário e infeliz.

 O mais triste de tudo isso, é que o senso comum apoia esse tipo de atitude por parte da polícia. Algo visto pela maioria como que uma lição de cunho moral e "pedagógico" por parte de policiais aos jovens. As pessoas de uma forma geral, aprovam e até se divertem ao verem garotos pobres de pele escura se dando mal em suas brincadeiras. 

 Ao que tudo indica também, o proprietário do lava-jato e patrão dos garotos, já teria se manifestado na intenção de demitir os três, envolvidos na infeliz brincadeira. Esse é mais um reflexo de que por mais que pobres, negros e jovens paguem pelo que "fazem de errado", tudo ainda parece ser pouco.

 Contudo em um mundo em que os jovens pobres são bombardeados pela mídia com funkeiros - filhos de papai -, cantando músicas do gênero "Funk Ostentação", a influência desse tipo de música na apresentação dos jovens em um carro de polícia "no banco da frente", remete à essa necessidade que o jovem pobre tem de ostentar um poder do qual quase nunca terão em seus futuros como adultos.


Funk Ostentação para pobres em viatura policial
não combina com jovens pobres e sem influência
na sociedade.
 O fato de se apresentarem no "banco da frente" de uma viatura policial e ostentarem um poder do qual usurpam de outrem - das autoridades policiais constituídas, melhor dizendo -, onde essas autoridades feridas em seu ego corporativo, os põe em seus "devidos lugares" (na parte de trás do camburão), representa o choque de realidade pelo qual jovens pobres são submetidos em uma sociedade capitalista de terceiro mundo, marcada por uma ditadura civil/militar de direita - que vigorou em um passado recente da história do País -, e que ainda permeia em uma instituição tão arcaica e obsoleta quanto a PM, incumbida de garantir que a lei do mais forte prevaleça. 

 A lei de quem não aceita dividir o poder com os mais pobres e que não quer democratizar a segurança pública ao ponto de uma simples brincadeira, não sofrer uma punição tão severa quanto um constrangimento em público ao qual esses garotos foram submetidos, pelo simples fato de serem pobres.

 A punição a esses jovens só demonstra que segurança pública é artigo de luxo e só está à serviço dos ricos. Ou alguém ainda acredita que se esses jovens fossem de classe média alta ou ricos, eles teriam passado por esse constrangimento público? Afinal o Brasil tem um histórico bem extenso de situações em que somente pobres, negros e favelados são punidos ou constrangidos ao linchamento moral público, semelhante ao sofrido por esses jovens.           

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